Super El Niño e Vento Sul: A Ameaça da Superbactéria da Lagoa dos Patos Chegar ao Litoral de SC

Risco de Disseminação no Sul

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Uma preocupação emergente na região Sul do Brasil é a potencial chegada da superbactéria Acinetobacter baumannii às praias de Santa Catarina. Identificada recentemente na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, o microrganismo, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos mais perigosos do mundo, pode ser transportado para o litoral catarinense devido a fatores ambientais como o fenômeno Super El Niño e correntes marítimas.

Segundo Rubens Duarte, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, a disseminação depende da capacidade da bactéria de sobreviver em água salgada e da influência das correntes marítimas. Estudos indicam que a Acinetobacter baumannii pode resistir por mais de 50 dias em ambientes marinhos. Alessandra Fonseca, também da UFSC, aponta que a combinação das chuvas previstas pelo Super El Niño e os ventos sul podem impulsionar as águas da Lagoa dos Patos em direção a Santa Catarina, elevando o risco caso a bactéria tolere a salinidade.

Monitoramento e Medidas Preventivas

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) considera a chegada da bactéria uma “hipótese teórica”, atrelada a cenários extremos como grandes enchentes. O órgão ressalta que a situação depende de variáveis como a concentração da bactéria na origem, sua sobrevivência no mar, a diluição no trajeto e a dinâmica das correntes oceânicas. Para prevenção, recomenda-se avaliações institucionais com coletas de água e a replicação de métodos de identificação utilizados no Rio Grande do Sul.

O IMA se coloca à disposição para atuar em suas competências técnicas, enquanto questões de saúde pública e vigilância sanitária seriam conduzidas pelos órgãos de Saúde competentes. A Secretaria de Estado da Saúde também foi contatada para informar sobre possíveis ações de prevenção.

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O Perigo da Superbactéria

A Acinetobacter baumannii é conhecida por sua multirresistência a antibióticos, o que a classifica como uma superbactéria. Essa resistência dificulta o tratamento e aumenta o risco de complicações, especialmente em pacientes vulneráveis. Um caso recente no Hospital Fêmina, em Porto Alegre, resultou na morte de um bebê prematuro após a detecção da bactéria em pacientes da UTI neonatal.

Especialistas como Fernando Magalhães do IPH e Andreza Francisco Martins da UFRGS tranquilizam a população ao afirmar que o risco de infecção pela água potável é praticamente nulo, pois a água que chega às residências passa por processos de tratamento. O perigo se concentra em casos de exposição direta ou consumo de água não tratada, como em fontes alternativas ou áreas impróprias para banho. Cuidados com a limpeza de reservatórios internos e a evitação de água não tratada são essenciais.

Resistência e Transmissão em Ambientes Hospitalares

A bactéria tem alta capacidade de sobrevivência em ambientes hospitalares, permanecendo em superfícies secas e equipamentos médicos. Isso a associa a Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), principalmente em pacientes graves ou com longos períodos de internação. A transmissão ocorre por contato direto ou indireto, incluindo mãos de profissionais de saúde e superfícies contaminadas. Hospitais seguem protocolos rigorosos de higienização e isolamento para prevenção. Embora algumas pessoas possam portar a bactéria sem sintomas, o risco de infecção é maior em indivíduos com sistema imunológico comprometido.

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