Tragédia na SC-390
Um grave incidente na rodovia SC-390, entre Pedras Grandes e Tubarão, no Sul de Santa Catarina, resultou na morte de uma onça-parda, o segundo maior felino das Américas. O animal foi atropelado por um veículo, um evento que, embora trágico, lança luz sobre a riqueza e a vulnerabilidade da fauna na região.
Saúde Debilitada Agrava o Quadro
A necrópsia realizada no animal, que chegou a ser levado à Polícia Ambiental e depois ao Centro de Pesquisas e Triagem de Animais Silvestres (CEPTAS) da Unisul de Tubarão, revelou que a onça-parda já se encontrava em estado de saúde debilitado. Rodrigo Ávila, coordenador do CEPTAS, explicou que a fêmea jovem, com cerca de 20 quilos, apresentava grande quantidade de ectoparasitas, como carrapatos, além de parasitas internos e problemas pulmonares e renais. Essas condições podem ter comprometido sua agilidade e a levado a se expor ao tráfego da rodovia em busca de alimento.
Importância Ecológica da Espécie
Apesar de não ser comum o avistamento de onças-pardas, o professor Rodrigo Ávila enfatiza a presença e a importância dessa espécie para o equilíbrio da fauna local. “Esse animal já circula na região há muito tempo, tem muitas áreas florestadas ali naquela região onde ele foi atropelado. Tem muitas conexões naquelas montanhas até chegar na Serra, um grande e importante corredor ecológico”, afirmou. A presença de um predador de topo como a onça-parda indica que a cadeia alimentar está completa, desde as presas até os animais de maior porte, garantindo a saúde do ecossistema.
O Alerta das Rodovias
O atropelamento da onça-parda na SC-390 não é um caso isolado, sendo apenas um dos muitos incidentes envolvendo animais silvestres em rodovias estaduais, como relatado na SC-108. A perda de animais de grande porte pode gerar desequilíbrios ecológicos, com o aumento descontrolado de populações de outras espécies. Para mitigar esses riscos, soluções como os “passa-faunas”, estruturas construídas sob as vias para permitir a travessia segura dos animais, são apontadas como essenciais. No entanto, Ávila ressalta a necessidade de planejamento, estudos detalhados de fauna e tráfego, além de conscientização dos motoristas quanto ao respeito aos limites de velocidade e à sinalização em áreas de maior incidência de vida selvagem.
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