Testarossa em Curitiba: como o bar de Ariel Todeschini mistura herança italiana, cachaça e cumaru em drinques autorais e interiores icônicos

Testarossa em Curitiba: como o bar de Ariel Todeschini mistura herança italiana, cachaça e cumaru em drinques autorais e interiores icônicos

No espaço de 119 m² assinado por Artd3 e Furf Design Studio, coquetelaria afetiva e referências brasileiras convergem sob um teto vermelho que vira assinatura

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Em Curitiba, o Testarossa reúne coquetelaria autoral e um projeto de interiores pensado para ser observado. Comanda do bartender Ariel Todeschini — eleito o melhor bartender do Brasil —, a casa propõe uma fusão aberta entre memórias italianas e ingredientes regionais brasileiros: cachaça, cumaru, puxuri e outros elementos que dão caráter às receitas.

Coquetéis: memória afetiva e quebra de tradição

Para Ariel, a carta é mais do que uma lista de drinques: “Mais do que assinar uma carta, o Testarossa é expressar um estilo, um gosto pessoal e a região onde eu me desenvolvi. Ela vem de memórias afetivas da comida italiana, com elementos brasileiros como cachaça, cumaru e puxuri, trazendo caráter regional. A ideia é quebrar a tradição sem caricatura.” O resultado são bebidas que dialogam com referências clássicas sem recorrer ao óbvio.

O balcão como coração e palco

A atmosfera do bar privilegia diferentes modos de estar: do balcão — ponto onde a técnica se torna espetáculo — a cantinhos mais reservados cheios de memorabilia, prêmios e objetos que contam a história da casa. “Recebemos as pessoas como se fosse na nossa casa, e o balcão é o coração do bar. É onde a técnica aparece, o cliente vê o processo e entende o que está sendo feito”, explica Ariel, resumindo a proposta de acolhimento e transparência.

Interiores: o teto vermelho e a paleta dos materiais

Assinado pelo Artd3 com direção criativa da Furf Design Studio, o projeto é um capítulo à parte. O teto vermelho faz alusão direta à Ferrari Testarossa — que batiza o bar — e a um apelido de infância dado à família de Ariel: “testarossa” remete a “cabeça vermelha”. Maurício Noronha, da Furf, afirma: “O teto é a grande assinatura. Sem ele, o lugar muda completamente. É o que dá o tom da descontração e das dinâmicas sociais do bar.”

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No acabamento, o mármore Napoleon Bordeaux contrasta com o piso original de ladrilho hidráulico, sofás de couro e placas cimentícias que imitam madeira. “Cada material cumpre uma função específica. Madeira aquece, concreto traz contemporaneidade, mármore adiciona nobreza, vidro canelado provoca curiosidade. O equilíbrio entre esses elementos foi essencial, assim como a dosagem do vermelho”, observa Karina Kawano, do Artd3.

Compacto, plural e coletivo

Com apenas 119 m² e capacidade para 60 pessoas, o Testarossa foi pensado para abrigar várias experiências em um espaço reduzido — do balcão ao sofá, passando por mesas mais reservadas. Denise Maruishi, também do Artd3, destaca a ideia de criar ambientes múltiplos dentro do compacto.

O projeto foi coletivo: mais de 58 pessoas estiveram envolvidas, lembra João Pedro Pennacchi. A ambição é clara — “fazer o melhor bar do Brasil” — e, segundo a equipe, o caminho tem sido próspero. Para quem busca drinques nada óbvios e um lugar para ficar e observar, o Testarossa em Curitiba se apresenta como destino obrigatório.

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