Será a cadeira Klismos o móvel mais antigo em uso? História, réplicas e por que o design grego segue presente em casas contemporâneas

Será a cadeira Klismos o móvel mais antigo em uso? História, réplicas e por que o design grego segue presente em casas contemporâneas

Da iconografia clássica aos interiores contemporâneos, o reinado notavelmente ininterrupto de uma cadeira

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A cadeira Klismos — conhecida pela silhueta elegante, encosto curvo e pés recuados — surge com frequência em vasos e esculturas da Grécia antiga, mas nenhuma peça original sobrevivente chegou até nós. Ainda assim, o modelo se mantém vivo graças à imagem deixada pela iconografia clássica e às sucessivas reinterpretações ao longo dos séculos.

Das origens clássicas ao neoclassicismo

Segundo George Manginis, diretor acadêmico do Museu Benaki, não existem exemplos originais intactos da Klismos — «Não sobreviveu uma única cadeira como essa» —, e a tradição do móvel passou a reaparecer com força apenas no século 18 e 19, durante as primeiras ondas de revivalismo neoclássico. Algumas releituras daquela época sacrificaram a leveza das formas originais em favor de proporções mais pesadas, embora haja exceções dignas, como o conjunto de Klismos da Villa Kérylos, residência neoclássica na Côte d’Azur.

O renascimento moderno: Robsjohn‑Gibbings e Eleftherios Saridis

No século 20, a cadeira ganhou nova vida nas mãos do designer Robsjohn‑Gibbings. Após uma epifania estética, ele dedicou-se a recriar a peça com linhas puras e proporções fiéis, apresentando em 1936 réplicas feitas à mão em seu showroom na Madison Avenue — uma dessas cadeiras integra hoje o acervo do Metropolitan Museum of Art. Nos anos 1960, buscando produção em maior escala, Robsjohn‑Gibbings associou‑se ao marceneiro ateniense Eleftherios Saridis. A parceria resultou em modelos em nogueira que logo se tornaram símbolos do mobiliário grego de alta época e ainda estão em produção.

Presença em interiores e cultura visual

Fotógrafos e estilos de vida ajudaram a fixar a Klismos no imaginário contemporâneo: foi um assento desse tipo que inspirou o retrato de Slim Aarons na Acrópole, e a cadeira passou a compor ambientes de nomes como Karl Lagerfeld e Madonna. Interioristas e colecionadores seguem recorrendo ao modelo em versões autênticas e reinterpretadas — a editora de moda Jessica Sailer, por exemplo, exibe várias variações em sua residência assinada por Remy Renzullo.

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É a Klismos o móvel mais antigo em uso?

A resposta depende do critério. Se por “mais antigo” se entende uma linhagem de forma preservada por milênios, a Klismos é um candidato forte: sua aparência foi concebida na antiguidade e continua a ser produzida, estudada e admirada. Se a exigência for a existência de um exemplar físico original usado continuamente desde a Grécia clássica, não há evidências materiais que sustentem a afirmação. O que torna a Klismos excepcional é a continuidade simbólica — sua associação à democracia clássica e à grande arte — e a capacidade de ser reintroduzida com fidelidade técnica por artesãos e designers ao longo do tempo.

Manginis prepara uma exposição sobre a Klismos ainda este ano, uma iniciativa que promete aprofundar o diálogo entre imagem, objeto e memória cultural e ajudar a esclarecer até que ponto uma forma pode ser considerada «viva» sem um original intacto. Enquanto isso, a cadeira segue ocupando salas, capas de revistas e acervos, mantendo um reinado que parece longe de terminar.

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