Os 11 cinemas mais bonitos do mundo: palácios históricos, art déco e projetos contemporâneos que transformam a ida ao filme

Os 11 cinemas mais bonitos do mundo: palácios históricos, art déco e projetos contemporâneos que transformam a ida ao filme

De Paris a Jaipur, passando por Los Angeles e Dresden, estes cinemas unem arquitetura, memória e experiência coletiva — cada um com uma história que vale a visita

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O cinema deixou de ser apenas uma tela e poltronas há muito tempo. Em várias cidades do mundo, a própria arquitetura da sala faz parte do espetáculo: fachadas exuberantes, halls como palácios, decidida aposta no conforto ou intervenções contemporâneas que dialogam com o entorno. A seguir, um roteiro por onze salas emblemáticas — históricas, art déco e contemporâneas — que mostram como a arquitetura molda a experiência cinematográfica.

Palácios do cinema: excesso, palco e memória

Le Grand Rex (Paris, França)
Inaugurado em 1932 e hoje protegido como Monumento Histórico, o Le Grand Rex foi concebido como um grande espaço de espetáculo: uma sala com capacidade para mais de 3 mil pessoas, torre imponente que remete a palácios de projeção e uma recepção que, na abertura, contou com 80 lanterninhas em traje formal. Além da programação regular de filmes, o edifício abriga concertos e festas, mantendo vivas a função social e o porte teatral que o tornaram famoso.

TCL Chinese Theatre (Los Angeles, EUA)
Erguido por Sid Grauman em 1927 como um palácio de inspiração oriental, o TCL Chinese Theatre consolidou-se como cenário de estreias e cerimônias de Hollywood. Sua fachada monumental antecede o Forecourt of the Stars, onde mais de 200 artistas deixaram as marcas das mãos e pés no cimento — de Marilyn Monroe a personagens icônicos. Atualizações técnicas mantiveram sua relevância, com salas IMAX e tecnologia moderna integradas ao conjunto histórico.

Fox Theatre (Detroit, EUA)
Projetado por C. Howard Crane e inaugurado em 1928, o Fox Theatre é um exemplo extremo do cinema como palácio: mais de 5 mil lugares na abertura, halls em grande escala, órgãos de tubulação e uma decoração que mistura referências egípcias, indianas e do Extremo Oriente. Após um processo de restauração nos anos 1980, o edifício recuperou seu esplendor e segue como palco para concertos e eventos culturais.

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Intimidade e elegância: art déco e salas boutique

Electric Cinema (Londres, Reino Unido)
Na Portobello Road, o Electric Cinema é um exemplo de como o formato boutique pode reinventar uma sala histórica. Reaberto em 2002 pelo Soho House Group, o cinema trocou 240 poltronas por 98 cadeiras de couro — algumas com apoio para os pés —, dois grandes sofás ao fundo e um bar onde é possível pedir bebidas e pratos do restaurante vizinho. A atmosfera art déco e a programação que mistura lançamentos e clássicos fazem dele um refúgio aconchegante em Notting Hill.

Cine Doré (Madri, Espanha)
Originário do Salón Doré de 1912 e transformado na configuração atual em 1923, o Cine Doré sobreviveu a décadas de decadência até ser recuperado na década de 1980. Hoje sede da Filmoteca Espanhola, o cinema preserva elementos como o pátio interno com varanda e o lucernário, oferecendo uma experiência que remete às raízes populares e históricas da exibição cinematográfica na capital espanhola.

Pathé Tuschinski (Amsterdã, Holanda)
Inaugurado em 1921 por Abraham Tuschinski, o Pathé Tuschinski é descrito por seu próprio fundador como “grande como um templo e belo como um palácio”. Projetado por Hijman Louis de Jong e decorado por uma equipe de artistas ornamentais, o edifício mistura Escola de Amsterdã, art déco e jugendstil, resultando em uma sala cuja exuberância decorativa permanece intacta e continua a encantar o público.

Cinema como ritual cultural: Índia e Austrália

Raj Mandir Cinema (Jaipur, Índia)
Concebido nos anos 1970 pelo empresário Shri Mehtab Chandra Golcha e assinado pelo arquiteto W. M. Namjoshi, o Raj Mandir foi pensado para oferecer ao espectador a sensação de entrar em um palácio. A fachada, com nove estrelas que remetem às gemas e à tradição joalheira local, antecipa um interior luxuoso: halls de pé-direito alto, luminárias monumentais, iluminação cênica que muda com o filme e uma sala dividida em seções batizadas de Pérola, Rubi, Esmeralda e Diamante. Até o sistema de climatização perfumado faz parte da coreografia sensorial.

State Theatre (Sydney, Austrália)
Inaugurado em 1929 e projetado por Henry White, o State Theatre é um clássico do modelo picture palace: espaços grandiosos, colunas estilizadas, abóbadas ornamentais e uma sala que visa o efeito teatral tanto quanto a projeção. Ao longo do século XX acompanhou transformações sociais e culturais da cidade e hoje segue como marco da vida cinematográfica e festivais de Sydney.

Projetos contemporâneos e restaurações que reinventam a cidade

Cinema Le Grand Palais (Cahors, França)
O cinema de Cahors ocupa um conjunto com camadas históricas — antigo convento, quartel e até estacionamento. O projeto do escritório Antonio Virga Architecte organiza o edifício em dois blocos: um em tijolo claro que respeita a escala do entorno e outro revestido com metal dourado perfurado, inspirado nas treliças mashrabiya. A intervenção contemporânea cria diálogo entre memória e nova centralidade urbana.

UFA-Palast (Dresden, Alemanha)
Assinado pelo Coop Himmelb(l)au, o UFA-Palast combina um volume compacto em concreto aparente com um prisma envidraçado de geometria retorcida que emerge em direção à praça. A peça transparente, frequentemente comparada a uma macla mineral, atua como elemento de transição urbana e mostra como o design contemporâneo pode reafirmar a presença do cinema na paisagem urbana.

The Egyptian Theatre (DeKalb, EUA)
Fruto do zeitgeist egiptomaníaco após a descoberta da tumba de Tutancâmon, o Egyptian Theatre abriu em dezembro de 1929 com decoração faraônica e programação variada. Fechado em 1977, foi salvo por uma mobilização comunitária, incluído no Registro Nacional de Lugares Históricos em 1978 e restaurado para recuperar sua função cultural. É um dos poucos exemplares do estilo egípcio na América do Norte e o único a leste das Montanhas Rochosas.

Por que visitar esses cinemas hoje

Além de ver um filme, visitar estas salas é experimentar diferentes camadas da história cultural urbana: desde o luxo teatral dos palaces até a reinterpretação contemporânea que conecta memória e cidade. Muitos destes espaços continuam em uso original, outros misturam programação cinematográfica com concertos, festivais e vida social — todos reforçam que o cinema pode ser, também, um destino arquitetônico.

Seja para sentir o assombro de uma fachada histórica, para se acomodar em um sofá de couro em Notting Hill, para testemunhar a recuperação de um teatro da comunidade ou para conhecer intervenções contemporâneas que renovam o papel do cinema na cidade, esses onze endereços oferecem motivos suficientes para planejar a próxima sessão — e a próxima viagem.

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