Onde está a outra ‘metade’ do Coliseu? Por que a fachada sul desabou, partes viraram pedreira e o que restou do anfiteatro romano
Terremotos, reaproveitamento de travertino e mudança de função explicam por que o Coliseu perdeu metade da fachada e como sobreviveu até hoje
O Coliseu que vemos hoje em Roma é apenas parte do anfiteatro que, no fim de sua construção, ocupava um volume quase duas vezes maior. Com cerca de 190 metros de comprimento, 155 metros de largura e 48 metros de altura, o monumento original tinha três séries sobrepostas de 80 arcos e ainda um nível extra de arcadas externas, além de revestimento em mármore travertino, estátuas e escadarias.
A configuração original e o sentido da monumentalidade
Para especialistas em arquitetura, o Coliseu não era apenas grande; era uma obra pensada para comunicar poder e eficiência. A professora Fernanda destaca que o anfiteatro ocupou o terreno drenado da antiga Casa Dourada de Nero, transformando um espaço privado e luxuoso em palco público. A sucessão ordenada de arcos, colunas e ordens clássicas influenciou o Renascimento e o Neoclassicismo e consolidou a construção como referência estética ocidental.
O que aconteceu com a outra “metade”
O desaparecimento da chamada “metade” do Coliseu resulta de um processo longo e multifacetado. Com o declínio do Império Romano, o edifício mudou de função: serviu de abrigo, foi fortaleza para famílias nobres, alojou oficinas e, crucialmente, funcionou como pedreira. Blocos de travertino e mármore foram retirados para uso em outras obras — há registros de que partes do material foram reaproveitadas na construção da Basílica de São Pedro.
Além do uso como fonte de material, eventos naturais agravaram os danos. Um dos golpes mais decisivos ocorreu em torno de 1349, quando um terremoto comprometeu a fachada sul e provocou desabamentos significativos. O arquiteto Sérgio Lessa lembra que retiradas de elementos após o Renascimento também contribuíram para o que hoje falta na estrutura.
Por que o Coliseu ainda resiste
Apesar das perdas, a resistência do Coliseu surpreende. Parte da explicação está na tecnologia construtiva romana: o concreto antigo e o sistema de arcos e abóbadas ajudam a distribuir cargas e a suportar tremores. Fernanda aponta que, do século XVIII em diante, ações de preservação ganharam força — e a Igreja Católica teve papel decisivo após o Papa Bento XIV declarar o local sagrado em memória dos mártires cristãos, gesto que ajudou a conter a destruição.
O que resta e o significado atual
Hoje o Coliseu é Patrimônio Mundial da UNESCO (desde 1980) e continua sendo um museu a céu aberto e referência estética. Caminhar por suas arcadas e pela arena é testemunhar camadas de história: do poder imperial às transformações medievais, das pilhagens de materiais às campanhas de restauração. O que resta não é apenas pedra — é uma narrativa sobre construção, destruição e preservação que segue influenciando a arquitetura e a memória coletiva.
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