Olmeda de las Fuentes, a vila de 400 habitantes perto de Madri que se tornou o grande refúgio dos artistas espanhóis
Casas caiadas, fontes e uma rota com placas de pintores: como um pequeno povoado junto a Alcalá de Henares ganhou fama entre artistas do século XX e preserva hoje um patrimônio cultural singelo
Escondida no planalto a poucos quilômetros de Madri, junto a Alcalá de Henares, Olmeda de las Fuentes parece saída de outra região da Espanha: ruas estreitas, casas caiadas de branco e uma encosta verde que envolve o povoado. Com pouco mais de 400 habitantes, o local mantém uma rotina tranquila — o som das fontes, o aroma de tomilho e janelas sempre enfeitadas com flores são a marca registrada.
Origens e estrutura: do século XVIII à igreja de São Pedro
O desenvolvimento inicial do povoado está ligado a Juan de Goyenche, empresário que adquiriu as terras no século XVIII. Foi ele quem impulsionou a indústria têxtil local ao criar uma fábrica e organizar o traçado urbano que permanece visível hoje. Também ergueu boa parte do patrimônio arquitetônico, incluindo a igreja dedicada a São Pedro Apóstolo, que ancora a vida comunitária da vila.
A chegada dos artistas e a chamada “idade de ouro”
A fama de Olmeda como refúgio artístico começou a se consolidar a partir da metade do século XX, quando pintores e escritores descobriram naquele cenário uma fonte de inspiração. Álvaro Delgado e Luis García Ochoa foram dois dos primeiros a se instalar, seguidos por nomes como Francisco San José, Pilar Aranda, Vela Zanetti, Ricardo Toja e Eugenio Granell — muitos com ligações à Escola de Vallecas e à Real Academia de Belas Artes de San Fernando. O ambiente propiciou encontros, discussões e um fluxo criativo que deixou registro nas memórias locais: relatos de caminhadas, obras e poemas dedicados ao povoado e uma sensação, nas palavras de contemporâneos, de nostalgia por um tempo profundamente fecundo.
Patrimônio vivo: a Rota dos Pintores e a Casa da Cultura
Para formalizar essa herança, a prefeitura implantou a Rota dos Pintores, um percurso que passa pelas casas desses criadores. As portas ostentam placas com o nome, retrato e uma obra de cada artista, transformando o próprio casario em um museu a céu aberto. Já a Casa da Cultura abriga uma exposição permanente com peças desses moradores que escolheram Olmeda para afastar-se da agitação urbana.
Hoje, embora muitos dias de intensa efervescência criativa tenham passado, alguns artistas ainda residem na vila e visitantes chegam em busca da atmosfera que encantou gerações. A manutenção do hábito de caiar fachadas e cuidar das ruas garante a imagem impecável de Olmeda — um destino pequeno em tamanho, mas grande em história e identidade cultural, a poucos minutos da capital.
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