O Agente Secreto: tour completo pelas locações reais no Recife que deram vida ao filme de Kleber Mendonça Filho — indicado ao Oscar 2026
Do Cinema São Luiz ao posto cenográfico construído do zero: conheça os espaços históricos usados pela produção e como foram recriados os interiores dos anos 1970
Escolha das locações e o desafio de tornar o Recife dos anos 1970
Reconstituir uma época foi um dos principais desafios da equipe de O Agente Secreto. Segundo a produção, por se tratar de um filme ambientado nos anos 1970 foi feito um levantamento de prédios históricos que ainda conservassem fachadas e estruturas compatíveis com a época. Mariana Jacob, responsável pela pesquisa de locações, explica que em muitas cidades brasileiras o centro histórico sofreu alterações: as fachadas permanecem, mas interiores foram modernizados, o que exige cuidado para que elementos contemporâneos não revelem o tempo atual.
Por isso, além do uso de fachadas originais, a cenografia precisou recriar diversos interiores. O diretor de arte Thales Junqueira e sua equipe modificaram pisos, revestimentos, portas e janelas sempre com a intenção de transportar o espectador para os anos 70, em cenários que fossem críveis dentro do contexto do Recife.
Locais emblemáticos e as cenas que eles abrigaram
Cinema São Luiz
Inaugurado em 1952 e tombado como monumento histórico em 2008, o Cinema São Luiz voltou a ganhar destaque após reforma e reabertura em 2024, quando recebeu a estreia nacional de O Agente Secreto. O cine-teatro, na cabeceira da Ponte Duarte Coelho, abriga cenas importantes: o personagem Alexandre (Carlos Francisco) trabalha ali e o local serve de palco para reuniões secretas entre Marcelo e Elza (Maria Fernanda Cândido).
Endereço: R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife – PE
Vila Santo Antônio e Rua do Riachuelo
A chegada de Marcelo ao Recife acontece com seu fusca amarelo na Rua do Riachuelo, no bairro de Boa Vista. A Vila Santo Antônio, conjunto de casas pitorescas dos anos 1940, representa a comunidade que acolhe o protagonista e empresta autenticidade às primeiras cenas do longa.
Endereço: R. do Riachuelo, 485 – Boa Vista, Recife – PE
Edifício Ofir (Espinheiro)
Embora a fachada usada como lar de Dona Sebastiana pertença à Vila Santo Antônio no filme, a verdadeira fachada é do Edifício Ofir, no Espinheiro. Construído em 1960, o prédio foi também locação para três apartamentos centrais na trama. Os interiores, porém, já eram contemporâneos e passaram por ampla transformação de cenografia para recuperar a aparência dos anos 1970.
Endereço: R. Alfredo de Medeiros, 68 – Espinheiro, Recife – PE
Ginásio Pernambucano
Fundado em 1825 e tombado pelo Iphan, o Ginásio Pernambucano — a escola mais antiga em atividade no Brasil — foi adaptado para representar uma repartição pública onde Marcelo trabalha. A secretaria virou sala de entrega de RGs, o Museu de História Natural Louis Jacques Brunet foi utilizado como sala de depoimentos, e o pátio interno serve de ponto de partida para uma cena de perseguição envolvendo Bobbi e Vilmar.
Endereço: R. da Aurora, 703 – Santo Amaro, Recife – PE
Restaurante Dom Pedro
Uma descoberta fortuita rendeu ao filme um ateliê revestido em madeira que aparece em cena quando o delegado Euclides apresenta Marcelo a Hans, personagem interpretado por Udo Kier. O espaço fica no Restaurante Dom Pedro, fundado em 1882, cuja área administrativa em madeira remete à Europa do século XIX e foi escolhida pelo diretor para ser o ateliê do personagem.
Endereço: R. do Imperador Pedro II, 376 – Santo Antônio, Recife – PE
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
As portas dos centros de Ciências da Saúde (CCS) e de Artes e Comunicação (CAC) da UFPE foram usadas em cenas internas, inclusive uma sequência em que um tubarão é dissecado por uma pesquisadora. A universidade também guarda ligação pessoal com o diretor, que estudou jornalismo na instituição.
Endereço: Av. Professor Moraes Rego, 1235 – Cidade Universitária, Recife – PE
Ponte Duarte Coelho
Cartão-postal da cidade, a ponte aparece em enquadramentos que valorizam o Rio Capibaribe e a paisagem urbana, sendo reconhecível na cena em que Marcelo contempla o horizonte a partir de uma janela do Cinema São Luiz. A ponte conecta avenidas centrais do Recife e é ponto de referência na geografia do filme.
Endereço: Entre a Avenida Conde da Boa Vista e a Avenida Guararapes
Parque 13 de Maio
O parque, projetado com jardins de Roberto Burle Marx e inaugurado em 1939, é palco de uma cena de perseguição inusitada envolvendo a lenda urbana local conhecida como Perna Cabeluda. O espaço histórico abriga a Biblioteca Pública de Pernambuco e bustos de personalidades estaduais, e sua paisagem contribui para a atmosfera do filme.
Endereço: R. Mamede Simões, 111 – Boa Vista, Recife – PE
Porto do Recife
O antigo terminal marítimo e o Armazém 8 funcionam como cenário para encontros cruciais entre personagens como Augusto, Bobbi e Vilmar. Para as gravações no porto, a produção mobilizou cerca de 100 pessoas e mais de 20 veículos, incluindo caminhões e carros de época.
Endereço: Praça da Comunidade Luso Brasileira, 70 – Bairro do Recife, Recife – PE
Chá-Mate Brasília e Galeria do Edifício Tereza Cristina
Trechos da perseguição que começa em frente ao Ginásio Pernambucano passam pelo tradicional Chá-Mate Brasília, em funcionamento desde 1984, e pela galeria do Edifício Tereza Cristina, até o desfecho na barbearia situada na área.
Endereços: R. Siqueira Campos, 279, loja 28 – Santo Antônio, Recife – PE; R. Dr. Sebastião Lins, s/n – Boa Vista, Recife – PE
Agência dos Correios (Av. Guararapes)
Com arquitetura original bem preservada, a agência próxima à Ponte Duarte Coelho foi escolhida por seu caráter histórico, contribuindo para o realismo da ambientação de época.
Endereço: Av. Guararapes, 250 – Santo Antônio, Recife – PE
Banco de Sangue Hemato
Instalado ao lado da Praça Chora Menino, o Banco de Sangue Hemato ocupa um edifício que já foi o antigo Cine Boa Vista, frequentado pelo diretor quando jovem. O local aparece nas sequências finais do longa, reforçando o diálogo entre memória pessoal e memória urbana.
Endereço: R. Dom Bosco, 723 – Boa Vista, Recife – PE
Cenas marcantes e curiosidades de produção
Algumas decisões de produção viraram histórias por trás das câmeras. O icônico Posto São Luiz, que abre o filme, não existe no Recife: foi construído pela equipe a partir de um terreno baldio, cenográfico e sensível à chuva. No primeiro dia de filmagem a chuva obrigou a equipe a proteger o cenário e mudar a ordem das cenas — no dia seguinte, com céu limpo, concluíram as imagens no posto.
Outra curiosidade veio do acaso: durante a pesquisa por um restaurante português a equipe encontrou, no Restaurante Dom Pedro, uma escada que levava a um espaço administrativo revestido inteiramente em madeira. O local encantou a direção e foi convertido no ateliê do personagem Hans, cena que não constava como prioridade no roteiro inicial, mas virou escolha imediata ao mostrar as fotos para Kleber Mendonça Filho.
Por que essas locações importam para o filme
Mais do que paisagens, os locais escolhidos em Recife atuam como personagens: fachadas tombadas, cinemas históricos, parques e portos ajudam a construir a narrativa de época e a reforçar o clima político e social da obra. A combinação de espaços preservados e cenografia aplicada aos interiores permitiu à produção evitar anacronismos visuais e manter o espectador imerso na década de 1970.
O Agente Secreto usa a geografia do Recife para conectar memória coletiva e ficção, valorizando patrimônios que vão do Cinema São Luiz ao Ginásio Pernambucano, passando por cantos menos óbvios da cidade que agora passam a integrar o roteiro cultural do filme.
Para quem viu o longa e quiser localizar as cenas, os endereços citados na reportagem ajudam a mapear um percurso que revela como a cidade serviu de matéria-prima essencial para a construção do universo cinematográfico de Kleber Mendonça Filho.
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