Pular para o conteúdo

Irmãos transformam duas casas geminadas do Brooklyn dos anos 1840 em residências silenciosas e eficientes com padrão alemão de casa passiva

Irmãos transformam duas casas geminadas do Brooklyn dos anos 1840 em residências silenciosas e eficientes com padrão alemão de casa passiva

Fachadas históricas restauradas e interiores contemporâneos seguem normas de casa passiva para reduzir ruído e consumo energético

Anúncio

Um segundo basta para perceber a diferença: silêncio. Duas residências geminadas no Brooklyn, datadas da década de 1840 e restauradas recentemente pelo escritório GRT Architects, apresentam agora um interior quase sem ruído — nem das vias externas, nem dos sistemas de ventilação. O projeto foi encomendado por dois irmãos que compraram as moradias adjacentes para morar com suas famílias e se tornou um exercício de conciliação entre preservação histórica e desempenho térmico de alto padrão.

Desafio entre preservação e modernização

As casas, de estilo neoclássico grego, chegaram ao escritório em condições ruins: abandono, perda de ornamentos e intervenções ao longo do tempo. Tal Schori e Rustam Mehta, fundadores do GRT Architects, lembram que as fachadas exigiram uma reconstrução fiel para atender a revisões históricas rigorosas — o que limitou alterações externas, mas abriu possibilidades no interior.

Com dois pavimentos, janelas amplas e pé-direito elevado, os interiores foram concebidos para parecerem “cheios de ar e luz” e, ao mesmo tempo, assumir um aspecto escultural arrojado. Para alcançar conforto térmico e acústico compatível com a vida contemporânea, os arquitetos adotaram estratégias inspiradas nos padrões europeus de casa passiva.

Princípios de casa passiva aplicados

O projeto seguiu a lógica de um invólucro construtivo hermeticamente fechado aliado a um sistema de ventilação mecânica controlada, princípios típicos das chamadas casas passivas originadas na Alemanha. O resultado é a redução drástica da necessidade de aquecimento e refrigeração e um funcionamento silencioso — detalhe que surpreende ao entrar nos ambientes em plena cidade.

Anúncio

Além da vedação e do isolamento, a estratégia exigiu coordenação técnica entre arquitetos, engenheiros e construtoras para garantir eficiência sem comprometer elementos históricos restaurados na fachada.

Reciclagem de materiais e identidade própria em cada casa

As duas moradas dialogam entre si, mas preservam identidades distintas — especialmente na decoração. Os proprietários e suas parceiras contrataram equipes distintas de interiores: a irmã e sua esposa trabalharam com a Revamp Interior Design; o irmão, a mulher e os filhos contaram com o designer Adam Charlap Hyman.

Hyman descreve o papel dos interiores como um entrelaçar do exterior histórico com soluções internas contemporâneas: “Misturamos elementos de diferentes períodos para construir uma estrutura única”. Na casa do irmão, por exemplo, móveis vitorianos contemporâneos à época original da residência convivem com peças modernas, criando um espírito de exuberância sem recriar literalidades do passado.

Materialmente, o projeto enfatizou a reutilização: vigas antigas foram transformadas em tábuas de piso e degraus; tijolos recuperados serviram para pavimentar os jardins internos. Pequenos e grandes achados se espalham pelos ambientes: tapetes de retalhos da artista Sophie Stone na sala e na suíte principal, estampas personalizadas da Voutsa em sofás e papéis de parede, e referências a nomes históricos do design e da decoração.

Colaboração criativa e detalhes que contam histórias

O trabalho envolveu várias frentes — arquitetos, designers, construtores e artesãos — e resultou em colaborações pontuais e impactantes. Um exemplo é o banheiro do casal, onde mural e mosaicos do artista Lukas Geronimas Giniotis reproduzem a música “Tempest”, de Bob Dylan, escolhida pelos moradores. A soma das equipes tornou-se, nas palavras de Adam, um “tour de force” criativo e técnico.

Para Tal Schori, o objetivo estava claro desde o início: criar lares totalmente únicos para duas famílias que dividem história e proximidade, mas mantêm estilos próprios. Missão cumprida: as casas do Brooklyn agora combinam proteção do patrimônio, eficiência energética e interiores de forte personalidade — um exemplo de como padrões europeus de construção podem ser adaptados com sensibilidade ao tecido urbano e histórico de Nova York.

Deixe uma resposta