Dia da Mulher: arquitetas, designers e paisagistas do Casa Vogue 50 que estão moldando o futuro dos espaços brasileiros
Da Amazônia às grandes metrópoles, profissionais listadas no Casa Vogue 50 reinventam interiores, paisagismo e projetos urbanos com sustentabilidade, pesquisa e linguagens autorais
Em homenagem ao Dia da Mulher, reunimos mulheres e coletivos destacados na lista Casa Vogue 50 que vêm deixando marca visível nos espaços onde vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Entre arquitetas, designers e paisagistas, há trajetórias consolidadas e vozes emergentes que renovam práticas com referências regionais, atenção ao uso, processos colaborativos e inovação — incluindo o uso de inteligência artificial e soluções construtivas sustentáveis.
Interiores, mobiliário e linguagem autoral
No âmbito dos interiores e do design de mobiliário, várias profissionais ganharam projeção por linguagens muito pessoais. Clara Nahas aposta na criatividade e na espontaneidade, sem medo de cores e materiais inusitados, e registrou em 2025 a consolidação de sua linguagem ao abrir o primeiro escritório físico. Juliana Lima Vasconcellos ampliou suas frentes ao lançar a marca Vasconcellos Studio e inaugurar uma galeria em São Paulo; também assinou, em Milão, a instalação Source of Pleasure para a Lavazza.
Marina Linhares é referência em projetos residenciais de caráter atemporal e vem estendendo sua atuação ao setor hoteleiro — entre seus trabalhos recentes estão empreendimentos em Inhotim e resorts que combinam direção criativa e hospitalidade. Melina Romano, por sua vez, busca conectar arte, design e arquitetura de modo sensorial e afetivo; é criadora do LAB MR, espaço que mistura galeria e laboratório de pesquisa.
Memola Estúdio, liderado por Veronica Molina, aposta na afetividade e na colagem de referências vintage e contemporâneas, aplicada em restaurantes e residências. O olhar cuidadoso com o objeto e o espaço também marca o trabalho de Fernanda Marques, uma das mais respeitadas arquitetas de São Paulo, que integra critérios de uso real, sustentabilidade e até inteligência artificial nos processos do escritório.
Paisagismo, natureza e territórios
O paisagismo aparece com vozes que conectam ecologia, ancestralidade e impacto social. Hana Eto Gall, baseada em Manaus e formada com sensibilidades rurais, valoriza espécies nativas e cria paisagens regenerativas ancoradas na Amazônia. Marilia Pellegrini descreve cada projeto como um bordado, muitas vezes resgatando técnicas e materiais locais; seu retrofit do Mirante do Gavião, às margens do Rio Negro, exemplifica essa relação com o território.
Pesquisa, curadoria e presença internacional
Algumas profissionais ampliaram sua atuação por meio da pesquisa e da curadoria. Gabriela de Matos, curadora do pavilhão brasileiro que conquistou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza em 2023, ganhou projeção internacional, participou de residência artística em Paris e desenvolve doutorado na TU Eindhoven sobre a relação entre terreiro e modernismo. Patricia Anastassiadis transita da escala urbana ao objeto: além de dirigir o próprio escritório, atua como diretora criativa da Artefacto e desenvolve projetos de retrofit que dialogam com memórias locais, como a revitalização do hotel Patmos Aktis, na Grécia.
Escritórios, obras de grande porte e inovação construtiva
Coletivos e escritórios com atuação ampla também figuram na lista. Studio MK27 destaca-se pela fluidez entre interiores e exteriores, com uso generoso de aberturas e atenção à textura. Perkins&Will, com sócios que lideram o braço paulistano, trabalha em projetos multidisciplinares e de grande escala — entre eles, o Terminal BTG Pactual no Aeroporto de Guarulhos e o Hospital Infantil Sabará, previsto para 2026 — enquanto o escritório gaúcho Stemmer Rodrigues reinterpretou o brutalismo em clima tropical e ampliou presença em Santa Catarina e São Paulo.
O escritório UNA, à frente do projeto do Sesc Parque Dom Pedro II, recebeu reconhecimento internacional ao conquistar o Holcim Foundation Awards, reforçando a importância de arquiteturas que combinam sustentabilidade, impacto social e inovação construtiva — na prática, o estúdio tem usado soluções como sistemas modulares em madeira engenheirada.
Outras iniciativas relevantes: Sol Camacho, nascida na Cidade do México e radicada em São Paulo, soma atuação acadêmica, curatorial e de restauração urbana; Suite Arquitetos, que completa 18 anos, une arquitetura, interiores e mobiliário com diálogo entre arte e natureza; Paula Neder privilegia processos colaborativos e coordena a ONG Caçamba Solidária; e a dupla UNA Barbara e Fabio Valentim reforça, com postura contextual, o papel ambiental na concepção do projeto.
Essas profissionais e escritórios representam apenas parte de um movimento maior: mulheres que, com repertórios diversos — do saber ancestral à pesquisa acadêmica, do ateliê ao canteiro de obras —, reconfiguram os espaços brasileiros e apontam caminhos para práticas mais inclusivas, sustentáveis e sensíveis. Acompanhar seus trabalhos é também acompanhar como a arquitetura e o design se transformam em ferramentas de cuidado e reinvenção do comum.
Sou um redator especializado em jardinagem, com formação em marketing. Combinando minha paixão por plantas com habilidades em comunicação, crio conteúdo cativante e informativo sobre jardinagem, ajudando as pessoas a transformarem seus espaços verdes. Minha missão é compartilhar conhecimento e inspirar outros amantes de plantas a cultivarem jardins vibrantes e cheios de vida.