Cores que realmente deixam a casa mais fresca no verão: guia prático de especialistas para escolher tons, materiais e ventilação

Cores que realmente deixam a casa mais fresca no verão: guia prático de especialistas para escolher tons, materiais e ventilação

Arquitetos explicam quais cores e combinações ajudam a ‘baixar a temperatura’ dos ambientes e que outros elementos da casa influenciam no conforto térmico

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Com a chegada do calor, muitas pessoas procuram soluções simples para deixar a casa mais agradável sem recorrer exclusivamente ao ar-condicionado. Entre as alternativas, a escolha das cores tem papel de destaque: além de estética, tonalidades certas podem ampliar a sensação de frescor. Especialistas consultados explicam como combinar cor, material e desenho da casa para reduzir a sensação térmica.

Como as cores influenciam a sensação térmica

As cores afetam a percepção do ambiente porque alteram a forma como a luz é refletida e como associamos sensações visuais ao calor. Segundo o arquiteto Samuel Cury, titular do Estúdio Naia, a escolha do tom deve considerar o objetivo do espaço, o pé-direito, a iluminação e o tipo de material: ‘Dependendo do local, do objetivo, se a casa precisa ser mais refrescante ou proteger os usuários de um ambiente mais frio, a escolha de cores mais claras, ou escuras pode ajudar nesse processo. E obviamente o tipo de material tem forte influência também.’

Cury lembra ainda que alguns materiais, como a madeira, aumentam a sensação de aquecimento tanto por suas tonalidades mais quentes (amarelos, vermelhos e tons escuros) quanto por suas propriedades de isolamento térmico.

Tons que refrescam: quais escolher

Para quem quer ‘baixar a temperatura’ visual do ambiente, a recomendação geral é privilegiar cores claras e de caráter frio. A arquiteta Ana Lucia Forte explica: ‘Quem deseja refrescar o ambiente deve optar pelas cores mais claras e frias, que tendem a transmitir uma sensação maior de frescor, um espaço mais aberto.’

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Dayane Rosseto, também arquiteta titular do Estúdio Naia, reforça que brancos, beges e tons pastéis costumam refletir maior parte do calor recebido da luz, sendo ideais, especialmente para fachadas e áreas externas: ‘Se as aplicar na área externa da casa, que seria a “linha de frente” na hora de receber o calor do sol, a chance de a casa absorver menos radiação é maior.’

Azuis equilibrados, beges acinzentados e cores com pouca presença de vermelho ou amarelo também ajudam a transmitir frescor e funcionam bem em salas e banheiros. Porém, atenção aos quartos: cores muito frias podem transmitir sensação de melancolia, segundo a arquiteta Anastácia.

Onde aplicar e cuidados práticos

Não basta escolher a cor: é preciso avaliar onde ela será aplicada. Fachadas e coberturas recebem mais radiação solar, por isso cores claras e revestimentos de alta refletância são mais eficazes para reduzir ganho de calor. Em ambientes internos, a interação com iluminação natural e artificial muda a leitura do tom — uma cor que parece fresca em uma sala bem iluminada pode ficar pesada em um cômodo escuro.

Materialidade influencia diretamente: superfícies com alta absorção térmica e objetos escuros tendem a armazenar calor. A madeira, além de sua cor, tem alta inércia térmica e pode reter temperatura por mais tempo. Por isso, combinar cores claras com materiais que facilitam a dissipação do calor é uma estratégia eficiente.

Outras estratégias além da pintura

As cores ajudam, mas não resolvem tudo. Anastácia destaca soluções arquitetônicas que favorecem conforto térmico: paredes mais espessas, que aumentam a inércia térmica; ventilação cruzada; e elementos que permitem circulação de ar sem perder leveza, como muxarabis e cortinas de voal. Samuel Cury lembra que a cobertura da casa merece atenção especial por ser a superfície mais exposta ao sol e que o emprego inteligente de materiais com diferentes propriedades de condutividade térmica é determinante para o desempenho térmico.

Pequenas intervenções — como escolher cortinas leves, ajustar a posição de móveis para facilitar fluxo de ar e priorizar aberturas para ventilação natural — também contribuem para uma casa mais fresca sem grande custo.

Resumo prático:

  • Prefira cores claras e frias (brancos, beges, pastéis, azuis equilibrados) em fachadas e áreas mais expostas ao sol.
  • Evite aplicar tons muito frios em quartos se houver risco de sensação de melancolia; avalie a iluminação.
  • Considere a materialidade: madeira tende a aquecer; paredes espessas e materiais com boa inércia térmica ajudam a estabilizar temperatura.
  • Invista em ventilação cruzada, cobertura bem isolada e elementos que permitam passagem de vento, como muxarabis e cortinas leves.
  • Na dúvida, teste o tom em pequenas áreas e observe o efeito em diferentes horários do dia.

Combinando cor, materiais e soluções arquitetônicas simples, é possível reduzir a sensação térmica dos ambientes e aumentar o conforto durante o verão sem depender exclusivamente de sistemas mecânicos de refrigeração.

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