Como trazer brasilidade autêntica para a decoração em casa — sem clichês, valorizando artesãos e materiais locais

Como trazer brasilidade autêntica para a decoração em casa — sem clichês, valorizando artesãos e materiais locais

Pesquisar referências locais, reconhecer mestres e explorar materialidades regionais como miriti e cerâmica marajoara são caminhos para uma decoração brasileira verdadeira e sem medo de ousar

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Trazer um toque de brasilidade para a casa não precisa passar por estereótipos ou soluções óbvias. Arquitetos e curadores vêm apontando caminhos que combinam pesquisa, valorização da produção nacional e resgate de saberes ancestrais — tudo isso sem abrir mão da originalidade. A ideia central é simples: conhecer quem faz, de onde vem o material e como as histórias por trás das peças podem transformar um ambiente.

Pesquise e valorize quem faz

Uma das primeiras atitudes é sair do circuito massificado e procurar referências locais. Visitar feiras, ateliês e galerias ajuda a identificar artesãos e artistas cuja produção traduz a cultura de uma região. “Quando você entende que existe um artista por trás daquela obra, você se encanta”, dizem Luís e Pablo, que defendem o papel do arquiteto como ponte entre cliente e criador. Levar clientes à casa do artesão ou à sua oficina não só cria empatia, como transforma compradores em mecenas — e fortalece as cadeias culturais locais.

Reaproveite materiais e explore texturas regionais

Olhar para as materialidades locais é outra forma concreta de inserir brasilidade sem clichês. Um exemplo citado por especialistas é o miriti, palmeira nativa da Amazônia muito usada em brinquedos no Pará: além do uso tradicional, o material vem sendo testado como mobiliário, papel e acabamento para paredes. Conhecer essas possibilidades permite criar soluções autorais que valorizam a biodiversidade e a economia regional.

Resgate ancestralidades com respeito

Resgatar saberes é também um ato de resistência. Ceramistas da Ilha de Marajó, por exemplo, preservam estéticas pré-colombianas e técnicas transmitidas de geração em geração — manifestações que reconstroem memórias e afirmam identidades. Honrar esse legado passa por reconhecer a origem das peças, documentar histórias e apoiar a continuidade desses ofícios, evitando apropriações superficiais.

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Ouse sem medo e evite o caricato

O preconceito de que elementos populares seriam bregas limita a expressão criativa. “Às vezes o que chamam de caricato é sinônimo de originalidade”, afirmam os especialistas. A recomendação prática é combinar poucos pontos de destaque — um móvel de miriti, uma cerâmica de Marajó, um têxtil artesanal — com uma base neutra para equilibrar o conjunto. Misturar contemporâneo e tradicional, sempre com contexto e procedência, garante autenticidade sem cair em clichês.

Consumir cultura brasileira de forma plural, apoiar mestres locais e experimentar materiais regionais são passos concretos para uma decoração com brasilidade real. Mais do que estética, trata-se de promover reconhecimento, resistência cultural e sustentabilidade nas escolhas de design.

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