Casa Vogue de março mostra como morar no skyline das grandes cidades: casas, estúdios e endereços que viram desejo
Edição reúne lares, ateliês e bares que ilustram o fascínio — e o custo — de viver no coração das metrópoles
Ser parte integrante do skyline de uma metrópole impõe um custo alto — financeiro, logístico e emocional —, mas também exerce um fascínio difícil de explicar. A edição de março da Casa Vogue investiga essa atração: há algo irresistível em habitar o caos urbano, seja por conta do endereço, das vistas ou dos endereços culturais que transformam a cidade em extensão da casa.
O endereço como virtude e provação
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha sintetizou a ambivalência: “A única virtude incontestável de uma casa é o endereço”. Para ele, mais do que objetos ou estilos, o que torna uma residência desejável é sua posição na cidade — e, pela mesma razão, a cidade é a grande invenção humana. A edição traz essa perspectiva como fio condutor: dentro das moradas, os hábitos dos moradores definem os espaços; fora delas, a malha urbana confere sentido e valor.
Estúdios e bibliotecas que são ruas internas
Um dos relatos da revista visita o Estudio Tupi, em São Paulo, sede criada por Aldo Urbinati e Andrea Vosgueritchian. O lugar reúne mesas de trabalho, salas de maquetes e uma biblioteca de cerca de 10 mil títulos que, gradualmente, será aberta ao público. Organizado como uma espécie de rua interna — remissão desejada ao Teatro Oficina, de Lina Bo Bardi —, o estúdio exemplifica como espaços profissionais nascem com vocação de ponto de encontro e difusão cultural dentro da cidade.
Endereços que viram cenário: do bar ao editorial de capa
Metropoles que se prezam guardam endereços para ouvir música e beber algo; poucos são tão fotogênicos quanto o Formosa Hi‑Fi, bar de audição no centro histórico de São Paulo, às margens simbólicas do Viaduto do Chá. Ali, um editorial ambientado para homenagear o centenário do designer Verner Panton rendeu as imagens que estamparam a capa da edição — exemplo de como espaços públicos e comerciais na cidade se transformam em extensões da residência e em vitrines de estilo.
Casas e projetos internacionais que dialogam com a cidade
Além das moradas paulistanas de Paulo Azevedo e Fred Peclat, a revista traz projetos que cruzam continentes: intervenções da arquiteta Kazuyo Sejima em Kyoto, intervenções do coletivo Dimorestudio em Londres e projetos de Pascali Semerdjian no Rio de Janeiro, próximos a Ipanema. Cada um desses casos mostra soluções distintas para viver em contextos urbanos densos — do aproveitamento de vistas e iluminação ao diálogo com a rua e a vizinhança.
Embora a redação admita uma discordância elegante com o mestre Mendes da Rocha — e afirme que aquilo que há dentro da casa pode, sim, torná‑la invejável —, a edição reafirma uma ideia central: o que faz a casa é a rotina de quem a habita; o arquiteto, por sua vez, contribui para construir a cidade que possibilita esses modos de vida.
Na prática, a reportagem mostra como morar no centro, perto de polos culturais e em edifícios que compõem o skyline exige renúncias e escolhas, mas também oferece conexões imbatíveis com o pulso urbano. Para leitores interessados em arquitetura, design e lifestyle metropolitano, a Casa Vogue de março é um convite a olhar a cidade como extensão do lar — e a reconhecer que, em muitos casos, o verdadeiro luxo é estar onde a cidade acontece.
Boa leitura!
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