As 13 obras de Gustave Eiffel além da Torre Eiffel: pontes, faróis, catedrais e estruturas metálicas que marcaram o mundo

As 13 obras de Gustave Eiffel além da Torre Eiffel: pontes, faróis, catedrais e estruturas metálicas que marcaram o mundo

Do aço pioneiro usado em Bordeaux ao suporte interno da Estátua da Liberdade: um mapa das intervenções de Eiffel em 13 projetos espalhados por Europa, América Latina, África e Ásia.

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Gustave Eiffel ficou globalmente conhecido pela icônica torre que leva seu nome em Paris, mas sua carreira foi muito mais extensa: formado pela École Centrale Paris, o engenheiro aplicou soluções em aço em pontes, viadutos, faróis, estações e edifícios públicos ao redor do mundo. A seguir, um panorama das obras menos comentadas que ajudam a entender como Eiffel elevou o aço a material de projeto arquitetônico e funcional.

Pontes, viadutos e estruturas ferroviárias

Ponte ferroviária de Bordeaux (1858) — Um dos primeiros grandes projetos de Eiffel, executado quando tinha apenas 26 anos como responsável técnico. A travessia sobre o rio Garonne, com cerca de 510 metros, evidenciou cedo a aptidão do engenheiro para trabalhar com aço. A ponte manteve uso ferroviário até 2008 e depois foi transformada em monumento histórico com acesso para pedestres.

Viaduto de Garabit (1884) — Localizado na região de Cantal, França, o Garabit surgiu como uma solução para vencer grandes vãos e desníveis. Projetado na sequência de estudos e inspirações em pontes como a Maria Pia, o viaduto impressionou pela altura (cerca de 122 metros) e pelo vão livre, tornando-se símbolo da engenharia metálica do período.

Ponte Trang Tien, Huê (1899) — Construída sobre o Rio Perfume, no Vietnã, a ponte tem 60 metros e evidencia a capacidade de Eiffel de reinterpretar referências clássicas — aqui, arcos góticos — usando o aço como elemento estrutural e ornamental. Iluminações noturnas reforçam seu papel paisagístico na cidade histórica.

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Hall da Estação Budapest-Nyugati (1877) — Embora seja uma estação e não um viaduto, o vestíbulo e a cobertura de aço e vidro projetados por Eiffel são emblemáticos do diálogo entre infraestruturas ferroviárias e estética. A solução integra fachadas clássicas a uma estrutura metálica que se estende do frontispício ao telhado, evidenciando função e ornamento.

Obras na América Latina: administrações, catedrais e palácios em aço

Ex-Aduana de Arica, Chile (1874) — Enviada da França e montada no Chile, a ex-alfândega em estilo neoclássico foi projetada como edificação governamental e hoje funciona como centro cultural e Monumento Histórico Nacional. A ideia de fabricar elementos na Europa e remontá-los no destino foi prática recorrente na época.

Catedral de San Marcos, Arica (1875) — Concebida originalmente para outra localidade, a catedral foi deslocada para Arica após um terremoto destruir o templo local em 1868. De estética neogótica, a estrutura alia soluções metálicas a uma aparência inspirada em modelos europeus, adaptada ao contexto latino-americano.

Chaminé “La Ramona”, México (1890) — Com 47 metros de altura, a chaminé da mina construída pela companhia El Progreso é atribuída a Eiffel e destaca o uso do ferro em equipamentos industriais e de infraestrutura ligados à mineração. Bastante visível na paisagem local, a obra recebeu nomepopular associado à data de inauguração.

Palácio de Hierro, Orizaba (1894) — Supervisado por Eiffel e produzido por fundições europeias, o prédio em estilo Art Nouveau foi exemplar por ter uma estrutura inteiramente em aço — algo sem precedentes para a época no México. Ao longo dos anos abrigou prefeitura e hoje reúne museus e espaços culturais.

Edifício “El Forjador”, Argentina (1894) — Projetado como fábrica e vitrine de máquinas, o edifício preserva a linguagem das estruturas metálicas de Eiffel: grande vão livre e combinação de função industrial e presença estética. Atualmente abriga um centro cultural que valoriza o legado local e o traço do engenheiro.

Terminal Rodoviário de La Paz, Bolívia (1917) — Encomendado e construído com intensa presença de estruturas metálicas, o terminal revela a percepção de Eiffel sobre espaços públicos: um interior amplo e iluminado por claraboias, fachadas de vidro e arcos metálicos que se repetem em sequência rítmica, criando sensação de leveza e escala.

Faróis, cúpulas e projetos monumentais

Farol de Ristna, Estônia (1874) — Entre vários faróis concebidos por colaboradoras de Eiffel, o farol de Ristna destacou-se pela necessidade de vencer neblinas densas: sua torre alcança cerca de 30 metros para garantir alcance luminoso adequado na costa do Mar Báltico.

Estátua da Liberdade, Nova Iorque (1886) — A estátua criada por Auguste Bartholdi repousa sobre uma armação metálica desenvolvida por Eiffel. Seu papel foi garantir estabilidade e distribuição de cargas da grande escultura, permitindo que o revestimento metálico exterior se mantivesse independente de movimentos estruturais.

Cúpula do Hôtel Hermitage, Mônaco (1896) — Projetada para coroar o Jardim de Inverno do hotel, a cúpula de vidro e aço é exemplo do estilo Belle Époque aplicado a interiores de luxo. A cobertura curva e translúcida cria uma atmosfera etérea, reforçando a capacidade de Eiffel de unir técnica e sensibilidade estética.

Ao longo de décadas, Gustave Eiffel transformou o aço em linguagem arquitetônica e ferramenta de solução para problemas técnicos de diferentes escalas. Suas obras — da travessia de um rio à sustentação de um monumento simbólico — mostram uma recorrente combinação de eficiência estrutural, modularidade e cuidado formal. Conhecer essa cartografia global além da torre de Paris amplia a compreensão sobre como a engenharia do século XIX moldou cidades e paisagens que ainda hoje impressionam.

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