Apartamento alugado por R$ 130 mil em bairro com canal antes poluído: como Gowanus, no Brooklyn, virou endereço de luxo
Torre de 17 andares da AveryHall teve unidade locada por US$ 25 mil/mês após limpeza do canal e rezoneamento que atraíu projetos de alto padrão
Um aluguel de US$ 25 mil por mês — cerca de R$ 130 mil na cotação atual — acendeu debates sobre o valor imobiliário em áreas que passaram por requalificação ambiental. O imóvel, parte de uma nova torre residencial no bairro de Gowanus, no Brooklyn (Nova York), foi anunciado pelo escritório AveryHall e registrado pelo The Post como marco no mercado local.
O empreendimento e a região
A torre tem 17 andares, 133 unidades, infraestrutura completa e espaço comercial no térreo. Lançada em 2023, a construção foi posicionada entre o distrito artístico e boêmio de Gowanus e Park Slope, bairro histórico e arborizado ao lado do Prospect Park — localizações que ajudam a explicar a demanda por moradia de alto padrão.
Rezoneamento e remediação ambiental
O projeto está ligado ao rezoneamento de Gowanus implementado em 2021. Entre as exigências do novo zoneamento estão a remediação de solos e a limpeza do canal que historicamente foi poluído por atividades industriais. Segundo o escritório responsável, a limpeza do canal acompanhou a obra, o que contribuiu para valorizar o entorno.
Por que o preço elevado?
A combinação de fatores explica o aluguel recorde: localização próxima a bairros desejados como Carroll Gardens e Park Slope, oferta de unidades de alto padrão, infraestrutura do empreendimento e a percepção de risco reduzido após ações de remediação. Além disso, projetos de zoneamento que incentivam uso misto, densidade residencial e foco em transporte público tendem a atrair investidores e locatários dispostos a pagar mais.
Dilema entre memória industrial e mercado de luxo
O caso de Gowanus evidencia um fenômeno recorrente em grandes cidades: zonas industriais revitalizadas tornam-se alvo de desenvolvimento de luxo depois de investimentos públicos e privados em saneamento e infraestrutura. Resta ao público e aos moradores avaliar se a valorização atende a interesses locais — como moradia acessível e preservação ambiental — ou favorece principalmente a especulação imobiliária.
Você pagaria R$ 130 mil por mês para morar onde, até pouco tempo atrás, havia um canal poluído? O debate sobre custo, risco ambiental e gentrificação segue em pauta enquanto bairros como Gowanus se transformam.
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