Campanha de Lula aceita e protocolam liberação de sigilos no TSE
A campanha do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) a autorização para a liberação e divulgação pública de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A medida surge em resposta às condições impostas pelo candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
Anteriormente, a campanha petista havia anunciado a aceitação das exigências de Bolsonaro. Além dos sigilos pessoais, Lula concordou em estender a quebra de sigilos ao Instituto Lula, ao seu assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), ao cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e ao seu filho Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).
Representando o presidente Lula no ato estiveram presentes o senador Camilo Santana (PT-CE), o secretário-geral da Presidência Guilherme Boulos (PSOL), o presidente do PT, Edinho Silva, e a deputada federal Camila Jara (PT). A ação ocorre a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais.
Origem da polêmica: acusação em debate e resposta de Lula
A discussão sobre a abertura de sigilos dos candidatos do PT e do PL teve início no último domingo (18), durante o debate presidencial promovido pela Band TV. Na ocasião, Flávio Bolsonaro acusou Lula de ser “ladrão”. Em resposta, o petista afirmou que abriria seus sigilos bancário e telefônico como forma de comprovar a licitude de seu patrimônio.
Campanha de Flávio Bolsonaro condiciona quebra de sigilo à confirmação das exigências
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro também esteve presente no TSE nesta quinta-feira. Segundo a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante do candidato do PL, o sigilo do senador será aberto assim que for confirmada a entrega de toda a documentação solicitada por Lula. “Tudo aquilo que foi pedido a campanha de Flávio vai oferecer, não há nenhuma possibilidade de recuo. Se ele [Lula] trouxe verdadeiramente os documentos aqui, nós também vamos trazer, imediatamente, se a gente confirmar que tudo o que pedimos eles trouxeram”, declarou Bucchianeri.
A advogada ressaltou que o objetivo da análise é investigar o “padrão de vida” de Lula e Janja, especialmente através do uso do cartão corporativo, e verificar visitas ao Palácio da Alvorada e do Planalto, em referência a uma lobista. A campanha de Flávio espera que o sigilo de Lula seja aberto desde 2003, ano de sua primeira posse presidencial, para “saber se ele, sua família e suas empresas enriqueceram” com a máquina pública.
“Oferecer um telefone que nunca foi usado é não oferecer nada, então queremos o telefone que era usado e o telefone do Marcola [ex-chefe de Gabinete de Lula]”, acrescentou a advogada, em referência a um celular novo que o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), presenteou a Lula no dia anterior. Lula é conhecido por não ter o hábito de usar celular próprio, utilizando os aparelhos de assessores para se comunicar.
Deltan Dallagnol será responsável pela análise dos documentos
Maria Cláudia Bucchianeri informou ainda que o ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) será o responsável por analisar o material a ser entregue por Lula. Dallagnol, que já investigou negócios ligados a Lulinha durante a Lava Jato, afirmou em entrevista que analisará os documentos “da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia”.
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