Filhos adultos desvalorizam mães? Especialista explica a ‘Síndrome do Silêncio Materno’

A conquista da independência e a perda da voz materna

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A independência dos filhos é um marco de orgulho para qualquer mãe. Ver um filho conquistar uma profissão e construir a própria vida é motivo de imensa satisfação. No entanto, essa conquista, muitas vezes, vem acompanhada de uma mudança sutil e dolorosa na dinâmica familiar: a mãe pode começar a ter suas opiniões e experiências desvalorizadas.

Relatos comuns descrevem situações onde a mãe é interrompida ao tentar compartilhar algo, recebe respostas impacientes para suas perguntas ou é corrigida em público, com comentários que minimizam sua inteligência ou conhecimento. Essa dinâmica, quando se transforma de discordância em desprezo, gera um sofrimento profundo.

A Síndrome do Silêncio Materno: um conceito para entender o fenômeno

A terapeuta Gênice Suavi, criadora do conceito de Síndrome do Silêncio Materno (SSM), explica que este não é um diagnóstico clínico, mas sim um conjunto de comportamentos familiares que afetam especialmente a relação entre mães e filhos adultos. A SSM descreve a perda gradual da liberdade de expressão da mãe, que, para evitar críticas, ironias ou discussões, passa a medir cada palavra.

“O silêncio pode parecer paz para quem está ao redor. Para a mãe, porém, representa o cansaço de não conseguir ser ouvida”, afirma Suavi. Ela ressalta que muitas mulheres de gerações anteriores abriram mão de projetos pessoais e investiram pesadamente na educação dos filhos, sacrificando suas próprias ambições para garantir um futuro melhor para eles. Ouvir, décadas depois, que são desinformadas ou ultrapassadas é uma forma de desvalorização.

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Merecimento de respeito além do diploma

A especialista enfatiza que ter mais estudo não confere a ninguém o direito de desrespeitar o outro. O conhecimento acadêmico expande horizontes, mas não autoriza a humilhação de quem teve uma trajetória de vida diferente. O preconceito contra o envelhecimento também contribui para essa desvalorização, associando a falta de familiaridade com novas tecnologias ou expressões à perda da capacidade de pensar e participar ativamente.

Reconstruindo o diálogo e o lugar da mãe

É fundamental discutir a autonomia dos filhos, mas sem esquecer o lugar da mãe na fase adulta deles. Ela continua sendo uma pessoa com história, ideias e direitos. Não é necessário possuir um diploma, estar por dentro de todas as novidades ou concordar com tudo para merecer consideração e respeito.

O crescimento de um filho deveria ser uma oportunidade para ampliar o diálogo e fortalecer os laços, e não para diminuir o valor da mulher que o criou. É preciso resgatar a escuta ativa e o reconhecimento da experiência e sabedoria materna, garantindo que sua voz continue a ser ouvida e valorizada.

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