Posição Geográfica Privilegiada
O Nordeste brasileiro se destaca como o terceiro maior hub de conectividade do mundo, uma vantagem estratégica global que pouco se discute na agenda de infraestrutura digital do país. Sua localização geográfica única permite conexões diretas, através de múltiplos cabos submarinos, com os Estados Unidos, a África e a Europa. Essa conectividade é um ativo natural, impossível de ser replicado por meio de políticas industriais.
O Potencial para Data Centers de IA
Eduardo Menossi, sócio-fundador da EBM, a maior construtora de data centers da América Latina, ressalta a importância dessa infraestrutura. “Existe uma região no Nordeste que é o terceiro maior hub do mundo de conectividade. Conecta, por uma posição geográfica, o Brasil com os Estados Unidos, com a África, com a Europa. E são muitos cabos fazendo essa conexão”, afirma Menossi. Para a indústria de data centers, a conectividade é um dos três pilares essenciais, ao lado de capital e energia barata, e o Brasil os possui.
Desafios na Distribuição de Energia
Apesar do potencial, Menossi aponta que o principal gargalo não é a geração de energia, mas sim sua distribuição. O Brasil é um grande produtor de energia renovável a preços competitivos em dólar, contudo, enfrenta dificuldades em levar essa energia até os locais onde a demanda por processamento computacional está em ascensão. A infraestrutura de conectividade do Nordeste posiciona o país como um ponto de passagem natural para o tráfego de dados entre os maiores mercados digitais globais, oferecendo latência reduzida e redundância de rotas, fatores cruciais para as Big Techs que demandam alta disponibilidade.
A Tese da Exportação de Energia via Data Centers
Menossi também apresenta uma tese inovadora: a exportação de energia brasileira de forma rápida e barata pode ser viabilizada através da implantação de data centers de inteligência artificial. “Uma das teses que a gente levanta é que a maneira do Brasil exportar energia de uma maneira rápida e barata é através de um data center. Porque quando você implanta um data center de inteligência artificial, você pode estar gerando uma quantidade de dados aqui sendo consumido em qualquer lugar do mundo”, explica. A atração de investimentos externos para este setor depende da combinação desse ativo de conectividade com outros fatores, como a aprovação do projeto de lei Redata, que visa isenção fiscal para importação de GPUs, podendo ser um gatilho para consolidar o Brasil como um polo global de processamento de IA.
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