Direita dominante, mas dividida
Mato Grosso do Sul mantém seu perfil conservador, com pesquisas apontando a direita como o principal espectro ideológico (40,3% segundo o Novo Ibrape e 46,3% entre direita e centro-direita segundo o IPR). No entanto, o cenário de 2026 aponta para uma direita fragmentada. O bolsonarismo, embora ainda com força eleitoral, enfrenta divisões internas entre grupos ideológicos, o grupo do governador Eduardo Riedel (PP) e lideranças tradicionais da centro-direita. Essa falta de unidade foi evidenciada nas últimas eleições municipais, onde um candidato apoiado por Jair Bolsonaro não chegou ao segundo turno em Campo Grande.
Riedel consolida espaço de centro-direita
O governador Eduardo Riedel (PP) emerge como a principal liderança conservadora do estado, segundo analistas. Ele construiu uma imagem de político conservador e liberal, mas sem o discurso radical associado ao bolsonarismo. Sua atuação tem atraído partidos como PP, PL e União Brasil, consolidando-o como uma figura central no espectro político estadual. Apesar de sua força, o bolsonarismo mais ideológico, na avaliação de cientistas políticos, permanece minoritário mesmo dentro do campo conservador.
Centro busca espaço em eleitorado pragmático
O cenário político de Mato Grosso do Sul também revela um espaço crescente para o centro e posições moderadas. Lideranças como Nelsinho Trad (PSD), Soraya Thronicke (PSB) e o próprio Eduardo Riedel (PP) sinalizam a existência de um eleitorado que busca alternativas menos polarizadas e mais pragmáticas. O expressivo número de eleitores sem posicionamento ideológico definido (35,2% segundo o Novo Ibrape e 21% segundo o IPR) sugere que a decisão de voto pode ser influenciada por temas concretos durante a campanha eleitoral, como gestão pública, economia e infraestrutura.
Esquerda petista mostra sinais de recuperação
Apesar de ainda ser minoritária, a esquerda em Mato Grosso do Sul, representada principalmente pelo PT, demonstra sinais de recuperação. Após uma queda em 2018, o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022 (41,83% dos votos válidos no segundo turno) indica uma retomada significativa de eleitores. Embora o partido ainda enfrente desafios para reconquistar o patamar de competitividade de anos anteriores e a construção de lideranças estaduais expressivas, a estratégia para 2026 inclui candidaturas ao governo e a busca por maior representação no Congresso Nacional.
Um eleitorado em evolução
O eleitorado de Mato Grosso do Sul caminha para 2026 em um cenário mais complexo do que em eleições anteriores. A predominância da direita se mantém, mas com divisões internas que abrem espaço para diferentes vertentes do conservadorismo. Paralelamente, a esquerda busca reorganização e o centro se apresenta como uma alternativa para eleitores que anseiam por moderação. A tendência é de uma disputa marcada pela concorrência entre essas diferentes forças, em vez de um embate simplificado entre direita e esquerda.
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