Suspeito de escravizar etíope em SC exalta direitos humanos e combate à pobreza no LinkedIn

Vasta lista de causas sociais em rede profissional contrasta com denúncia de trabalho análogo à escravidão

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Fabricio Saltini, um dos suspeitos de manter uma trabalhadora etíope em situação análoga à escravidão no bairro Rio Tavares, em Florianópolis, demonstrava em seu perfil no LinkedIn, plataforma voltada para o mercado de trabalho, um forte engajamento com causas sociais. Entre os temas que ele destacava como prioridades estavam os direitos civis, ações sociais, direitos humanos, alívio à pobreza e serviço social. Essa postura contrasta diretamente com as acusações de que ele e sua companheira, Nour Salem, submetiam uma empregada doméstica a jornadas exaustivas de 15h30 diárias, violência psicológica e restrição de liberdade, conforme apontado por Auditores-Fiscais do Trabalho.

Acordo e indenização após resgate da trabalhadora

O caso veio à tona na quinta-feira (21), culminando na assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e no estabelecimento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil. Após a revelação, o casal retirou suas redes sociais pessoais do ar. No entanto, o perfil profissional de Saltini, relacionado a uma empresa de imóveis de luxo, exibia vendas milionárias em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele próprio alega ter negociado mais de US$ 1 bilhão em imóveis, cerca de R$ 5 bilhões, e foi reconhecido por publicações especializadas como uma das “lendas” do mercado imobiliário na região.

Resgate e contexto de trabalho escravo em Florianópolis

O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), em colaboração com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, conduziu uma força-tarefa que resultou no resgate da trabalhadora etíope no início de maio. A mulher, de 34 anos, conseguiu fugir da residência de alto padrão onde trabalhava, relatando ter sido submetida a violência, privação de liberdade e jornadas extenuantes. Segundo a fiscalização, ela foi contratada em Dubai por uma empresa estrangeira de serviços domésticos.

Jornadas exaustivas e violações de direitos humanos

As investigações revelaram que a empregada doméstica trabalhava das 7h às 22h30, incluindo finais de semana, acumulando diversas tarefas. Ela também relatou ter sofrido violência psicológica, verbal e moral, além de ter seu passaporte retido, o que limitava sua locomoção. Mesmo após fugir e receber acolhimento das autoridades locais, a trabalhadora teria continuado a receber mensagens intimidadoras dos empregadores. O TAC firmado prevê a regularização do vínculo empregatício, o recolhimento de encargos e o cumprimento de todas as normas trabalhistas, com multas previstas em caso de descumprimento. O caso segue em acompanhamento pelo MPT-SC.

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