Prefeito de Chapecó critica condução do caso Orelha e acusa polícia de ‘lacração’; delegado-geral rebate e fala em ‘inquisisição’

Críticas à investigação policial

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O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, utilizou as redes sociais para expressar fortes críticas à forma como a Polícia Civil de Santa Catarina conduziu a investigação sobre a morte do cão Orelha. O caso, que ganhou ampla repercussão, foi alvo de questionamentos por parte do prefeito, que citou precipitação, exposição excessiva de informações e contradições por parte da cúpula policial.

Rodrigues afirmou que, inicialmente, evitou se manifestar devido à prematuridade de qualquer juízo, mesmo diante da pressão popular por uma posição do município, que possui histórico em políticas de proteção animal. Ele relatou que informações preliminares indicavam seis adolescentes envolvidos, mas a divulgação de imagens, nomes e vínculos familiares e empresariais resultou em condenação pública antecipada e ameaças aos jovens citados.

Alvo principal: delegado-geral

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, foi o principal alvo das críticas do prefeito. João Rodrigues acusou Gabriel de se expor recorrentemente nas redes sociais, divulgar informações com versões distintas em horários diferentes, transformando o caso em um espetáculo midiático. Segundo o prefeito, a morte do animal foi utilizada para “lacração”, desviando o foco da investigação técnica.

O prefeito também apontou divergências internas sobre a causa da morte do cão, citando declarações contraditórias sobre a realização de eutanásia. Ele questionou a redução do número de investigados e a divulgação de imagens que não corresponderiam ao momento do fato, além de questionar a omissão inicial de informações relevantes.

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Resposta do delegado-geral

Em resposta, o delegado-geral Ulisses Gabriel declarou que não acompanha as falas do prefeito, alegando ter “tanta coisa para fazer”. Ele afirmou que o caso está sendo explorado por pessoas interessadas em autopromoção, sem considerar a existência de culpados ou inocentes, e que “querem culpados para crucificar”. Gabriel assegurou que a investigação conta com dedicação exclusiva de duas delegacias e a Diretoria de Inteligência, com cerca de 20 policiais atuando diretamente na apuração.

Gabriel revelou ter sido alvo de centenas de ameaças de morte, juntamente com sua família, em razão da repercussão do caso, e se disse “num tribunal de inquisição” diante da pressão e exposição pública. Ele ressaltou a estrutura da segurança pública catarinense, mencionando a existência de delegacias especializadas em proteção animal e investimentos contínuos na área de segurança.

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