Reedições de ícones do design brasileiro reafirmam legados e atualizam clássicos
Mesmo quando materiais e contextos mudam, móveis e objetos revisitam momentos marcantes e recuperam soluções surpreendentes
Reedições recentes de peças-chave do design brasileiro mostram que é possível modernizar o uso e a produção sem apagar a identidade original dos autores. Projetos liderados por marcas como Dpot e Schuster Móveis reapresentam modelos históricos com intervenções discretas — principalmente em componentes internos — e mantêm intactos traços, proporções e intenção funcional que definiram essas criações.
Atualizações técnicas mantêm aparência e conforto de Sergio Rodrigues
No caso das peças de Sergio Rodrigues, o trabalho de restauro e reedição priorizou a manutenção do desenho original. Segundo Fernando, marceneiro que trabalhou com o arquiteto por 30 anos, as únicas atualizações foram em materiais internos de estofamento, como correias elásticas e espumas feitas com insumos mais modernos. “Mesmo assim, comportamento, conforto e aparência da peça foram mantidos. O desenho seguiu minuciosamente as soluções propostas por Sergio, reafirmando a autenticidade e o caráter histórico do mobiliário”, explicou.
A simplicidade das formas retilíneas suavizadas por contornos arredondados, característica do designer, é apontada como responsável pelo acolhimento do assento. A peça foi pensada para uso cotidiano — citada no contexto de espaços institucionais como o Itamaraty — e, ao mesmo tempo, como representação do Brasil por meio do design, carregando uma assinatura sutil nas proporções e nos detalhes.
GB UL 19: modularidade histórica ganha corpo em madeira pela Dpot
A reedição da poltrona GB UL 19, de Geraldo de Barros (1923–1998), exemplifica outra abordagem: manter proporções e lógica construtiva, mas adaptar a execução para novas possibilidades de fabricação. Originalmente desenvolvida na década de 1950 pela Unilabor com estrutura de ferro tubular e sistema modular, a peça relançada pela Dpot respeita dimensões e proporções da estrutura UL 19, mas adota madeira maciça na sua estrutura física.
Na nova versão, uma concha de madeira laminada envolve almofadas soltas apoiadas sobre a base. Baba Vacaro, diretora de criação da Dpot e responsável pelo projeto de reedições da marca, diz que o relançamento faz parte de um esforço que começou em 2004, quando a empresa iniciou o trabalho de recuperar o acervo do designer. Ela destaca a busca por peças originais em coleções particulares e familiares dos autores: “Com isso, creio que temos conseguido resgatar e manter viva a memória de iniciativas relevantes de um período muito importante de nossa história”, afirma.
Lâmpada Lúmen: afeto e proporção na reedição de Bernardo Figueiredo
A luminária Lúmen, assinada por Bernardo Figueiredo (1934–2012) e desenhada nos anos 1960, também foi reeditada mantendo sua função e escala. A peça, presente na sala da família do designer e exibida em exposições como a homenagem no Museu da Casa Brasileira em 2021, oferece iluminação indireta adequada para laterais de sofás e poltronas, reforçando sensação de aconchego.
Angela Figueiredo, filha do designer, lembra que cada reedição nasce de um processo lento e afetuoso: “Cada reedição nasce de um processo lento de grande estudo das peças no chão de fábrica, em fotos ou em croquis, e sobretudo, de muito afeto”. Para ela, o resultado evidencia o caráter atemporal do trabalho de Bernardo, colocado ao lado de nomes como Sergio Rodrigues e Joaquim Tenreiro nas transformações do design e da arquitetura brasileiras.
Por que reedições são relevantes hoje
Além de recuperar formas e soluções históricas, as reedições cumprem papel prático: recolocar objetos autorais na vida cotidiana, facilitar o acesso a peças antes restritas a acervos e coleções, e preservar a memória de processos produtivos e conceituais. As intervenções técnicas costumam ser pontuais — atualização de espumas, correias e alguns acabamentos — mantendo o comportamento, o conforto e a aparência que justificaram o reconhecimento dessas peças.
Em suma, as reedições ajudam a manter viva uma narrativa do design brasileiro, equilibrando fidelidade histórica e adaptabilidade contemporânea. O exercício exige pesquisa em arquivos, contato com famílias e colecionadores, testes em chão de fábrica e, segundo quem participa desses projetos, muito cuidado e afeto para que o clássico continue a funcionar no presente sem perder sua voz original.
Sou um redator especializado em jardinagem, com formação em marketing. Combinando minha paixão por plantas com habilidades em comunicação, crio conteúdo cativante e informativo sobre jardinagem, ajudando as pessoas a transformarem seus espaços verdes. Minha missão é compartilhar conhecimento e inspirar outros amantes de plantas a cultivarem jardins vibrantes e cheios de vida.