Geração Z e o mercado imobiliário: por que preferem alugar, priorizam localização e ainda sonham com a casa própria na terceira idade
Pesquisa do Programa de Pós‑Graduação em Gestão Urbana da PUCPR aponta flexibilidade nas escolhas de moradia, valorização de bairros centrais e tensão entre consumo presente e planos de longo prazo
Um estudo do Programa de Pós‑Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) mapeou como a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) enxerga o morar. A pesquisa, aplicada a cidadãos urbanos, em sua maioria de classe média e com alta escolaridade nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, revela tendências que já vêm moldando o mercado imobiliário: o aluguel e soluções residenciais temporárias ganham espaço, mas o sonho da casa própria permanece forte para o futuro.
Flexibilidade e moradia como serviço
A geração Z tende a tratar a moradia com pragmatismo: o aluguel, a divisão de apartamentos e imóveis compactos surgem como respostas a mobilidade profissional e às dificuldades econômicas. Segundo o arquiteto e pesquisador Rafael Kalinoski, da PUCPR, “a moradia deixa de ser apenas um ativo financeiro e passa a ser vista como um serviço temporário e mais personalizável” — uma leitura que combina troca de cidade por oportunidades de trabalho e restrições como salários defasados e crédito habitacional caro.
As barreiras financeiras aparecem em números: 47% dos entrevistados afirmaram não ter dinheiro suficiente para o pagamento de entrada ou para arcar com um financiamento. Para muitos, o aluguel é uma solução temporária diante das pressões econômicas, não necessariamente uma opção definitiva de estilo de vida.
Localização frequentemente vale mais do que metragem
Outra tendência clara é a renúncia ao espaço em favor da localização. Jovens preferem bairros bem conectados a transporte, vida cultural e opções de emprego, mesmo que isso signifique morar em unidades menores. O estudo ilustra esse trade‑off com um exemplo: diante de R$ 500 mil, muitos optariam por um apartamento compacto em um bairro nobre em vez de uma unidade de maior metragem na periferia, buscando proximidade a centros culturais, regiões boêmias e empregos da chamada indústria 4.0.
Casa própria como segurança e “efeito de experiência”
Apesar da adesão ao aluguel hoje, a aspiração pela propriedade segue forte. Na pesquisa, 90% dos participantes disseram desejar ter casa própria na terceira idade; 75% manifestaram preferência por morar em casas no futuro — percentual muito superior ao observado entre Boomers (38%), para quem a preferência por apartamentos é maior.
Os pesquisadores apelidam esse fenômeno de “efeito de experiência”: quem já viveu em casas tende a dimensionar melhor custos e manutenção ao longo do tempo e, por isso, prefere apartamentos. Jovens que não foram proprietários romantizam a ideia da casa com jardim e mais espaço, sem considerar plenamente os encargos futuros.
Há também uma contradição apontada pelo estudo: a geração Z valoriza experiências no presente, como viagens, o que pode reduzir a capacidade de poupar para a aquisição de um imóvel. Assim, estratégias de curto prazo — aluguel e mobilidade — convivem com metas de longo prazo, criando um ciclo que pode postergar a compra da casa própria.
Decoração e identidade: mistura de moderno e retrô
Na prática, a forma de morar também reflete estilo e identidade. A arquiteta Márcia Jabur, do escritório Samba Porter Arquitetura, observa que clientes da geração Z buscam maior expressividade na decoração, misturando elementos modernos e retrô para afirmar personalidade. Isso contrasta com o perfil observado entre Millennials, que tendem a preferir composições mais neutras, muitas plantas e um ambiente voltado à sensação de tranquilidade.
Em resumo: o mercado imobiliário enfrenta uma geração que usa o aluguel e habitações compactas como respostas pragmáticas a limitações financeiras e às oportunidades urbanas, mas que continua a ver a casa própria como símbolo de segurança e projeto de vida. As escolhas de hoje — priorizar localização, mobilidade e experiências — prometem redesenhar demandas e produtos no setor nos próximos anos.
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